Daniel Duvillard, chefe de operações do CICV para o Leste da África.
Como o senhor está lidando com a situação de quase cem dias desde o sequestro de Gauthier e Laurent?
Este sábado, 30 de janeiro, o sequestro completa cem dias para nosso colega Gauthier. Para Laurent o sofrimento também chegará aos cem dias, a menos que seja libertado antes do dia 17 de fevereiro. Continuamos fazendo todo o possível para conseguir a liberação rápida e segura de nossos colegas. Continuamos em contato com os sequestradores e com as autoridades locais e nacionais e acompanhamos de perto os desdobramentos.
Nossos sentimentos vão para nossos colegas e suas famílias. A equipe do CICV, não só na sede em Genebra, mas no mundo todo, mostrou grande apoio e profunda preocupação durante a crise.
Permita-me insistir: continuaremos fazendo o possível, enquanto for necessário, para conseguir a liberação segura e rápida de Gauthier e Laurent.
Que mensagem o senhor tem para Gauthier e Laurent hoje?
Acima de tudo, queremos que eles se mantenham saudáveis e que cuidem de si. Esperamos que Gauthier e Laurent sejam liberados o quanto antes. Estamos cientes da dor e da tensão pelas quais suas famílias estão passando. Queremos que as famílias saibam que estamos fazendo o possível para garantir a rápida liberação de seus entes queridos.
Continuamos extremamente preocupados com a segurança e o bem-estar de nossos colegas. Apenas a liberação deles aliviará nossas preocupações.
Qual tem sido o impacto da redução das atividades do CICV no Sudão e no Chade?
O fato de termos sido forçados a reduzir nossa presença no terreno significa que agora estamos prestando menos serviços à população do Chade e em Darfur. Lamentamos profundamente essa situação. Nossa prioridade é conseguir a liberação de nossos colegas o quanto antes para podermos levar todos nossos recursos para apoiar o trabalho humanitário que precisa ser feito.
Agora, como sempre, a segurança é nossa maior preocupação e nossa presença no terreno está, portanto, sob constante revisão. Estamos tomando todas as precauções possíveis para assegurar que nossa equipe continue trabalhando com segurança. Embora tenhamos suspendido o trânsito e adaptado nossa presença no terreno no leste do Chade e em Darfur Ocidental, estamos lutando para manter os serviços essenciais que ninguém mais pode prestar.
Em particular, continuamos com nosso trabalho no campo para deslocados em Gereida, Darfur do Sul, e com serviços que salvam vidas como as cirurgias de emergência realizadas no Hospital de Abéché, no leste de Chade. Continuamos apoiando os centros de cuidados médicos primários e as atividades do Crescente Vermelho Sudanês e da Cruz Vermelha Chadiana. Em áreas remotas de Darfur e do leste do Chade, onde pouquíssimas organizações podem ir, o CICV ainda está envolvido em atividades como disponibilizar água potável e ajudar as pessoas a se sustentarem por meio da agricultura e do pastoreio.
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